Para refletir e evoluir

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A pilha de livros para ler só cresce aqui do meu lado, mas enfim consegui devorar o fininho e potente Para Educar Crianças Feministas, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (aquela que já teve um trecho de um discurso musicado por Beyonce em Flawless). Uma vergonha que levei quase dois meses para conseguir pegá-lo pra ler, já que ele é pequeninho e tem menos de 100 páginas. Mas, quem tem uma vida dessas de filho + trabalho + maistrabalho + tudomais, me entende.

Acho que a introdução cheguei a ler umas 12 vezes, mas sempre acontecia algo antes de eu ir além e o livrinho ficava ai, de lado.

Eis que tive uma viagem de trabalho (que duraria 24 horas) e levei ele, com mais dois livros e duas revistas. Hahahahahahaha parecia que ficaria um mês viajando de férias, mas é a esperança de mãe que se vê no desespero de ter umas horinhas só pra ela.

Sentei no aeroporto, teria uma hora de espera, e já começava a pairar aquela culpa de mãe em cima de meus ombros, que sempre me questiona se realmente deveria me dedicar mais, passar mais tempo, fazer mais, e blábláblá…. Eis que enfim cheguei na página que realmente começa o livro. (Pra quem não sabe: Para Educar Crianças Feministas é uma adaptação de uma carta escrita pela autora – um ícone do movimento feminista no mundo  – a uma amiga que acaba de ter uma filha e quer conselhos para educar uma criança feminista). E a dica número ! não poderia calhar mais naquele momento:

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Sim, agora viajaria mais tranquila e não sosseguei antes de chegar ao final das 15 sugestões.

De uma forma geral, Chimamanda fala tudo que a gente já sabe mas talvez nunca parou para pensar na importância ou no teor de ‘regras’ repetidas por gerações. São dicas simples, como por exemplo, nos fazer refletir sobre quando a gente fala que o marido ‘ajuda’ na criação do filho, na troca de fralda, na alimentação. Como assim ele ajuda? O filho é dele também então ele não deve ajudar, mas sim fazer tudo junto e além dessa presença ser fundamental pra formação da criança, é essencial também para o casamento: “Quando há igualdade não existe ressentimento” – sugestão 2.

Ela fala da importância de ensinar as crianças:

  • A nunca deixar de fazer algo por serem meninas ou fazer porque são meninos;
  • Os perigos do feminismo leve;
  • O poder da leitura – os livros vão ajudá-las a questionar e conhecer o mundo;
  • A questionar a linguagem SEMPRE;
  • A nunca falar de casamento como uma realização;
  • A não se preocuparem em agradar os outros, mas sim serem autênticas;
  • A terem senso de identidade;
  • A cuidarem da aparência da forma que fizer bem;
  • A questionarem o uso da biologia como razão para as coisas;
  • A não converterem os oprimidos em santos.

O livro fala também sobre como os conceitos de igualdade e equidade de gênero são usados como sinônimos, no entanto eles não têm o mesmo significado e como o termo feminismo é colocado na maiorias das vezes como um movimento que prega a supremacia da mulher sobre o homem – O que está errado e sempre vale relembrar! O movimento feminista é nada mais que a busca por direitos iguais entre mulheres e homens e importância de vermos que somos diferentes sim, mas nunca inferiores. E aí vai a dica que diz para mostrar as diferenças, mas que o gênero nunca vai definir o que uma menina pode ou não fazer. E nada também coloca a mulher acima dos homens.

Gostei dessas frases:

“Nos discursos sobre gênero, às vezes, há o pressuposto de que as mulheres seriam moralmente “melhores” do que os homens. Não são. Mulheres são tão humanas quanto os homens. A bondade feminina é tão normal quanto a maldade feminina. E existem muitas mulheres no mundo que não gostam de outras mulheres. A misoginia feminina existe e esquivar-se a reconhecê-la é criar oportunidades desnecessárias para que as antifeministas tentem desacreditar o feminismo.”

“Nós ensinamos meninas a se encolher, a se diminuir. Nós dizemos a elas: você pode ter ambição, mas não demais. Você pode desejar ter sucesso, mas não em demasia, senão ameaçará o homem”

Adorei o livrinho, acho que é um bom começo pra quem quer pensar um pouco sobre feminismo, machismo, igualdade, equidade, vai criar um menino, uma menina, tem os filhos criados, não quer ter filho, mas simplesmente quer ver o mundo de uma maneira melhor.

E senti o primeiro reflexo quando fui comprar um presente para uma menina de um ano… Se você ler, vai me entender! Chega de spoilers 🙂 E o Arthur tem roupa rosa e até uma bonequinha que ele a-d-o-r-a!

*** Assista também os TED Talks da maravilhosa Chimamanda.

 

 

 

 

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